No fundo do poço?

No editorial passado abordei o tema voltar de um lugar que nunca estive, uma reflexão um tanto quanto paradoxal, mas com um profundo sentimento das incertezas que vivemos. Já estamos em novembro, as eleições acabaram, contudo, os momentos de incertezas continuam.

Nestes momentos de incertezas no mundo, onde as notícias ruins se propagam geometricamente, guerras e mais desgraças açoitam os nossos olhos e ouvidos, é normal que a insegurança tome conta de nós e muito difícil encontrar quem tenha resistência para suportar tudo sem, vez ou outra, se deixar esmorecer e entrar num processo depressivo.

Acontece com você, meu amigo leitor? Pois bem, comigo também acontece e nestes momentos em que me sinto como estivesse no ‘fundo do poço’, procuro ver fotos antigas, ler livros já lidos e relidos, sempre em busca de lembranças motivadoras ou palavras sábias que possam ter passado desapercebidas.

Dias destes, sentindo-me neste estado, fuçando alguns velhos livros – mais precisamente no Histórias Maravilhosas, de José Orlando Nussi -, deparei com uma metáfora que tinha tudo a ver com aquele momento, o qual reproduzo para você.

“Diz a lenda que um certo fazendeiro, que lutava com muitas dificuldades, possuía alguns cavalos para ajudar nos trabalhos em sua pequena fazenda. Um dia, seu capataz veio com a notícia que um dos seus cavalos havia caído num velho poço abandonado. O fazendeiro foi rapidamente ao local do acidente e avaliou a situação, certificando-se que o animal não se machucara, mas pela dificuldade e o alto custo de retirá-lo do fundo do poço, decidiu que não valeria à pena uma operação de resgate. Assim, tomou a difícil decisão e ordenou ao capataz que sacrificasse o animal, jogando terra no poço até enterrá-lo, ali mesmo. E assim foi feito: os empregados, comandados pelo capataz, começaram a jogar terra para dentro do buraco de forma a cobrir o cavalo. Mas, à medida que a terra caía em seu dorso, o animal sacudia e ela ia se acumulando no fundo, possibilitando ao cavalo ir subindo. Logo os homens perceberam que o cavalo não se deixava enterrar, mas, ao contrário, estava subindo à medida que a terra enchia o poço, até que enfim, conseguiu sair. Voltou para a fazenda e viveu ainda muitos anos servindo ao seu dono”.

Então, meu amigo, acho que você captou a mensagem, não? Por mais embaixo que você possa estar se sentindo, pessoalmente, profissionalmente e, principalmente, politicamente, e por mais terra joguem sobre você, não se deixe pisotear. Lembre-se da história deste cavalo, e da música de Paulo Vanzolini: “levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima”.

 

Forte abraço e boa leitura
Claudinei Luiz