O avanço do sobrepeso e da obesidade tem preocupado especialistas em saúde pública no Brasil e no mundo, especialmente após o período da quarentena. O aumento do sedentarismo, da ansiedade, do consumo de alimentos ultraprocessados e das dificuldades financeiras agravou um cenário já preocupante.
Dados do Atlas Mundial da Obesidade 2025 apontam que, até 2030, cerca de 50% da população adulta mundial viverá com excesso de peso. No Brasil, estudos apresentados pela Fiocruz estimam que quase metade dos adultos brasileiros poderá ter obesidade até 2044.
As consequências desse cenário já são sentidas no Sistema Único de Saúde (SUS), com aumento nos casos de diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares, ansiedade e outros problemas crônicos que impactam diretamente os gastos públicos com consultas, exames, medicamentos e internações. O que poderia ser evitado com prevenção, orientação e educação nutricional, muitas vezes acaba chegando aos hospitais em estágios mais graves.
Atualmente, o município conta, em média, com apenas um nutricionista para cada cinco Unidades Básicas de Saúde (UBS). A sobrecarga desses profissionais dificulta a abertura de agendas para atendimentos personalizados, limita o acompanhamento contínuo da população e reduz drasticamente as ações educativas em grupo, escolas e instituições próximas às UBS.
Diante desse cenário, a aprovação da segunda votação do Projeto de Lei 101/2025 representa um avanço importante para a cidade. A proposta prevê a inclusão de um nutricionista em cada UBS de Santo André, fortalecendo a atenção primária e ampliando o acesso da população ao cuidado nutricional.
A presença do nutricionista na UBS vai muito além do atendimento individual. Hoje, a Nutrição possui 34 especializações reconhecidas pelo Conselho Federal de Nutricionistas, atuando em áreas como saúde da mulher, oncologia, pediatria, esportiva, geriatria e até nutrição em saúde mental. O tema se torna ainda mais urgente quando lembramos que o Brasil é considerado o país mais ansioso do mundo e ocupa a segunda posição em casos de depressão, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Investir em prevenção custa menos do que tratar doenças já instaladas. Estudos do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) e da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) destacam que, a cada 1 euro investido em prevenção e promoção da saúde, economiza-se de 3 a 5 euros em tratamentos e internações futuras. Quando há acompanhamento nutricional adequado, diminuem os riscos de agravamento de doenças crônicas, a necessidade de medicamentos contínuos e as internações hospitalares.
Fortalecer a nutrição na atenção básica é investir em qualidade de vida, dignidade e economia para os cofres públicos. A aprovação do PL 101/2025 é um passo necessário para uma Santo André mais saudável, humana e preparada para enfrentar os desafios da saúde pública nos próximos anos.
Dra. Juliana Rosa é nutricionista, com especialização em nutrição esportiva e neuronutrição, além de palestrante e consultora de empresas
Instagram: @nutrijulianarosa








