A falta de conexão

O problema não é falta de sexo. É falta de conexão. E é isso que está destruindo muitos casamentos

No consultório, ouvi uma frase que nunca esqueci:
“Doutora, o problema não é que a gente não faz mais sexo. O problema é que eu não sinto mais que ele me conhece.”

Essa resposta resume a realidade de muitos casamentos.

Hoje, fala-se muito sobre como melhorar a vida sexual. Existem livros, vídeos e inúmeras dicas. Mas, mesmo assim, muitos casais continuam infelizes. Isso acontece porque tentam resolver um sintoma, enquanto ignoram a verdadeira causa. Na maioria das vezes, o desejo não desaparece de repente. Ele vai diminuindo aos poucos.

Primeiro acabam as conversas sinceras. Depois os elogios, os abraços, as risadas e os momentos a dois. Quando a conexão emocional desaparece, a intimidade costuma desaparecer junto.

É um erro acreditar que o sexo começa apenas quando o casal entra no quarto. Ele começa muito antes. Começa quando um pergunta ao outro como foi o dia e realmente escuta a resposta. Quando existe carinho sem interesse, respeito, admiração e a sensação de ser importante para quem está ao seu lado.

Especialmente para muitas mulheres, sentir-se emocionalmente segura é um dos fatores que mais influenciam o desejo. É difícil entregar o corpo quando o coração está cansado ou quando a pessoa se sente ignorada dentro da própria relação.

Outro problema silencioso é a rotina. Não é ela que destrói o casamento, mas a falta de cuidado com a relação. Muitos casais administram a casa, os filhos, o trabalho e as contas, mas deixam de investir tempo um no outro. Aos poucos, passam a viver como colegas que dividem o mesmo endereço.

A boa notícia é que grandes mudanças começam com pequenos gestos.

Um abraço mais demorado,
Um elogio inesperado,
Uma caminhada juntos,
Um café preparado com carinho,
Uma conversa sem celular por perto.

São atitudes simples, mas que fortalecem o vínculo emocional e criam um ambiente onde a intimidade pode florescer novamente.

Antes de perguntar por que a vida sexual mudou, talvez o casal devesse fazer outra pergunta:
“Nós ainda fazemos o outro se sentir amado, visto e importante”?

Muitas vezes, essa resposta explica mais do que qualquer outra.

O amor raramente acaba de um dia para o outro. Ele vai sendo enfraquecido pelos pequenos descuidos da rotina. Da mesma forma, também pode ser fortalecido pelas pequenas escolhas feitas todos os dias.

Afinal, o problema nem sempre é a falta de sexo. Na maioria das vezes, é a falta de conexão. E, quando duas pessoas voltam a se conectar emocionalmente, descobrem que o amor nunca foi embora. Ele apenas estava escondido atrás da correria, do cansaço e do silêncio.

 

Samanta Marzano é psicóloga e terapeuta sexual
redes sociais: @psisamantamarzano