Vamos falar sobre dislexia

A Dislexia é um Transtorno de Aprendizagem que é genético e hereditário. Existem alterações neurobiológicas e funcionais que afetam principalmente a aprendizagem da leitura, escrita e compreensão de textos, principalmente quando lidos pelo próprio disléxico.

Importante destacar que a pessoa com Dislexia tem inteligência normal e não tem privação sensorial, mas mesmo assim demora um tempo maior para alcançar a alfabetização, principalmente se não foi avaliada e não recebeu intervenção apropriada.

Os principais sintomas são: falta de interesse por atividades que envolvam leitura; realizar trocas ao ler ou ao escrever, de letras que tenham sons parecidos, como o “t” e o “d”; ou letras parecidas visualmente como o “p” e o “q”; fazem inversões de sílabas em uma palavra como “síbalas” (sílabas); troca de palavra por outra com o som parecido, porém com significado muito diferente como “parente” por “patente”.

Apresentam leitura lenta, silabada, sem prosódia, entrecortada, o que prejudica a compreensão do que foi lido, levando a segunda, terceira leitura do mesmo texto, com a intenção de completar a compreensão. Costumam ainda pular linhas ao ler, ou ler duas vezes a mesma linha, sem perceber; e podem também inventar o final das palavras, na intenção de agilizar a leitura.

Geralmente complicam-se com a Matemática, pois têm dificuldade para decorar a tabuada e podem também transcrever resultados com inversões numéricas, além, é claro, de complicações para compreensão dos enunciados.

Outra dificuldade importante: idioma estrangeiro, principalmente no Inglês, por se tratar de um idioma opaco.

Todas estas alterações levam este indivíduo a uma baixa autoestima, com sintomas de ansiedade e até depressão, sendo que estes sintomas não são esperados num quadro de Dislexia; no entanto, com freqüência são observados durante a avaliação para o diagnóstico.

Então, qual a solução? A resposta está em uma avaliação e intervenção precoce. O diagnóstico deve ser realizado por uma equipe multiprofissional e interdisciplinar. Uma equipe ideal deve ser formada por profissionais das áreas de Fonoaudiologia, Psicopedagogia, Neuropsicologia e também serão necessários alguns exames da área médica, como Audiometria, Processamento Auditivo Central, Oftalmológico, Processamento Visual e Neurológico.

Além destas avaliações será importantíssimo o relatório da escola e também a realização de uma anamnese com a família. Em alguns casos pode ser necessária uma avaliação genética ou psiquiátrica. Após esta avaliação a equipe procederá a orientação à família, indicando as intervenções apropriadas, que geralmente são Terapia Fonoaudiológica, Terapia Psicopedagógica, Psicoterapia, Psicomotricista, Terapia Ocupacional, entre outras.

Que fique claro: nem todos irão necessitar de todas estas intervenções. Não há cura para a Dislexia, pois não se trata de uma doença e, sim, um Transtorno; porém, os sintomas podem melhorar e muito com intervenção.

Maria Inez Ocanã De Luca
é psicóloga, com especialização em Neuropsicologia
Mais informações:
www.dislexia.org.br