Todos já devem ter ouvido:
Este menino não para.
Até para comer e dormir ele se mexe bastante.
Está sempre com a cabeça no mundo da lua.
Não ouve o que estamos falando com ele.
Esquece tudo: Material, lição de casa, trabalho, recados, brinquedos e até horários.
Ah, mas para brincar no videogame… Ninguém ganha dele. Fica com os olhos grudados, parece que não está ouvindo e esquece até de comer e tomar banho. Para isso ele é focado!
Sim. Vocês já devem ter ouvido todos estes comentários em relação a crianças que são muito ativas. Mas pode ser que não seja somente um aspecto da personalidade desta criança. Pode ser que ele tenha o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade.
Este transtorno pode se apresentar de três formas diferentes:
1- O predominante Impulsivo,
2- O predominante desatento e
3- O Combinado, que apresenta tanto o déficit de atenção quanto a hiperatividade.
Eles simplesmente não conseguem o controle efetivo de suas ações. Faltam-lhes funções executivas, que são um conjunto de habilidade cognitivas superiores que permitem: Planejamento, Organização, Tomada de Decisão, Resolução de Problemas, Controle de Impulsos e Flexibilidade Mental.
Estas funções executivas são responsáveis por regular e controlar o comportamento em situações complexas e desafiadoras e as pessoas com TDAH apresentam deficiência nestas funções em razão da falta neurotransmissores em seus cérebros, chamados Dopamina e Noradrenalina.
O amadurecimento da região frontal do cérebro da pessoa com TDAH se dá de forma mais lenta e isto acontece geralmente por predisposição genética.
O diagnóstico é clínico, feito por pediatra, neurologista ou psiquiatra, mas em geral estes especialistas solicitam uma avaliação neuropsicológica ou até uma avaliação multidisciplinar, pois este transtorno ocorre em comorbidade em muitos casos com outros transtornos, como por exemplo, a Dislexia.
Ao se realizar uma avaliação multidisciplinar o médico terá maior segurança para fechar o diagnóstico e indicar o melhor tratamento, que pode ser medicamentoso ou através de intervenções com as mais variadas áreas, como Psicopedagogia, Psicologia, Terapia Ocupacional, entre muitas outras. O mais comum é o tratamento através de equipe multidisciplinar, abrangendo tratamento medicamentoso e intervenções, conforme as inabilidades percebidas durante a avaliação.
A pessoa com TDAH tende a fazer amigos com facilidade, porém encontra dificuldade em manter estes amigos, pois tem a necessidade de ser o líder e querer que tudo aconteça conforme sua vontade. Os hiperativos costumam ser criativos e bastante inteligentes. Gostam de desafios e múltiplas atividades. São considerados desorganizados, distraídos e impulsivos. Muitos dizem que não têm “filtro”. Alguns deles pedem desculpas ou se sentem desconfortáveis com seus próprios atos, o que pode levá-los a quadros de Ansiedade e até Depressão.
Se este for o seu caso ou de seu filho ou parente ou mesmo conhecido, o mais indicado é buscar ajuda médica, assim receberá instruções específicas para seu caso.
Maria Inez Ocanã De Luca é psicóloga, com especialização
em Neuropsicologia e mestre em Psicologia da Saúde








