Jubileu de Ouro

Jubileu de Ouro

Roberto Delgrego, Antônio José Monte, Paulo Coelho, Carlos Dozzo, Gilmar Moreira, Flávia Coelho e Adolfo Gusman. Diretores da CLASA, eles celebram
os 50 anos da Instituição

A sessão solene está prevista para o próximo dia 10 de setembro, na Câmara Municipal andreense, marcando com pompa e circunstância os 50 anos de existência da Casa Lions de Adolescentes de Santo André, ou simplesmente CLASA, como é amplamente conhecida em toda a região.

Mas, o que poucos sabem é que a entidade, fundada em 1975 por inspiração da diretoria do Lions Clube Santo André – Centro, nasceu como Corpo de Patrulheiras Mirins, na gestão, sob a presidência do então conselheiro Jorge Olavo dos Santos Bonfim. Afinal, como ressaltavam os fundadores Sergio Davanço e Joaquim Boaventura, já havia o Corpo de Patrulheiros Mirins, e o Clube, àquela época, entendeu necessário e justo criar uma corporação que atendesse também às meninas, já que em relação a estas existiam os mesmos problemas que envolviam os garotos, antes desamparados.

E foi assim que, com a primeira turma composta por 17 garotas, tudo começou, com a Chácara Duque de Caxias – hoje Parque Celso Daniel – usada como primeiro local para treinamento das patrulheiras.

Porém, os planos não pararam por aí. Já em 1976, a Prefeitura autorizou em uso de comodato a atual área de terreno com 8.811 m² na, hoje, Av. D. Jorge Marcos de Oliveira, para a construção da sede própria, com as obras iniciadas pelo Lions Centro, em 1978. Para resumir, neste mesmo ano, durante reunião conjunta, Lions Centro e Lions Jardim decidiram unir esforços para concluir a obra, passando a administração da entidade para ambos os Clubes.

A sede do Corpo de Patrulheiras Mirins foi inaugurada em 1980 e em 1999 passou a se chamar CLASA – Casa Lions da Adolescente de Santo André, ainda só voltada a meninas e, posteriormente, passou a se chamar CLASA – Casa Lions de Adolescentes de Santo André, passando a atender ambos os sexos. Em 2017 a entidade foi agraciada com a doação do local, por parte da Prefeitura e, desde então, a CLASA é a proprietária do imóvel.

Na Câmara, esta trajetória por certo será lembrada, e, para receber a justíssima láurea, estarão o presidente Gilmar Moreira; a vice-presidente, Flávia de Oliveira Lima Coelho; o diretor administrativo, Adolfo Gusman; o vice-diretor administrativo, Carlos Eduardo Dozzo; o diretor financeiro, Antônio José Monte e o vice-diretor financeiro, Roberto Del Grego, que formam a atual Diretoria da instituição.

Da Redação

 

É de conhecimento geral que os Lions Clubes mundo afora têm por objetivo, entre outros, o desenvolvimento de atividades que conduzam ao bem-estar cívico, social e moral da comunidade, não se atendo apenas a algumas atividades filantrópicas para cumprir seus ideais. Estes são permanentes e se traduzem em contínuas campanhas de benemerência junto a entidades assistenciais e membros da comunidade. Por aqui não é diferente e, como exemplo significativo, pode-se destacar a construção da FAISA – Fundação de Assistência à Infância de Santo André, pelo Lions Clube Santo André – Centro.

Com a CLASA, foi igual. Fundada em 10 de setembro de 1975, com a filosofia de selecionar meninas carentes, treinando-as e encaminhando-as a diversas atividades na indústria, comércio, escritórios, hospitais e bancos, sem prejuízo do estudo que, obrigatoriamente, deviam realizar, as patrulheiras recebiam uniformes, alimentação e uma importância mensal, que era entregue à sua família. Com a sede do Corpo de Patrulheiras Mirins construída pelos Lions Centro e Jardim, com o auxílio da comunidade, em terreno – como já dito – doado pela Municipalidade, nasceu a entidade, com a meta de abrigar cerca de 600 meninas.

A trajetória
Iniciando imediatamente suas atividades, em pouco tempo o programa já contava com mais de 50 garotas, que logo ingressaram em diversas empresas parceiras, como Prefeitura de Santo André, FAISA entre outras, atuando como ‘office-girls’, estafetas, datilógrafas e recepcionistas. Aliás, o programa então oferecido pode ser considerado uma versão passada do atual Programa Integrar e Programa Jovem Aprendiz da CLASA. Desde então, os programas sofreram poucas alterações em sua execução, ajustando-se apenas à constituição atual e à lei trabalhista (CLT), além de mudanças no currículo de aprendizagem.

Segundo a vice-presidente Flávia Coelho, a instituição oferece muito mais do que o primeiro emprego: promove a formação integral dos jovens por meio do projeto Jovem Aprendiz, com preparação teórica, orientação social e acompanhamento contínuo durante sua atuação nas empresas parceiras. “Desde o ingresso nos programas serviço de convivência, curso preparatório ou socioaprendizagem, o jovem é acolhido e guiado em seu processo de desenvolvimento pessoal e profissional”, diz ela, explicando que por meio do programa Lions Quest, iniciativa do Lions Internacional, a CLASA trabalha o desenvolvimento de habilidades socioemocionais, a tomada de decisões conscientes e a prevenção ao uso de drogas. “Acreditamos que a educação e a orientação, quando significativa, participativa e colaborativa, tem o poder de transformar realidades. Formamos cidadãos conscientes de seu potencial, preparados para contribuir ativamente com a sociedade”, resume.

Testemunhos de vida
Letícia Redondaro – Tenho 26 anos e tive a oportunidade de começar minha carreira profissional na CLASA. Eu me tornei aprendiz administrativa em uma empresa fabricante de canudinhos plásticos, e desde então segui na área administrativa, me especializei em RH e hoje sou psicóloga de formação, mas atuo como recrutadora. Atualmente sou empreendedora, tenho uma empresa no ramo de RH, e o meu trabalho é justamente preparar jovens para que, assim como eu, consigam ótimas oportunidades para ingressar no mercado de trabalho e construírem suas carreiras. Ao mesmo tempo, também ajudo adultos em transição de carreira ou que estão em busca de recolocação. E com certeza a CLASA foi uma parte muito importante e especial na minha trajetória de vida.

Eliana Tamayoshi – Tenho 39 anos e em 2001 participei do Projeto Integrar, na CLASA. Em 2002 comecei a trabalhar como jovem aprendiz e logo depois consegui ser promovida a estagiária. Após isso, eu consegui estágio na minha área de atuação, TI, fiz faculdade na área e fui subindo, e hoje trabalho ainda na mesma área, como consultora sênior. Em paralelo, eu empreendo com o comércio de cosméticos. E a CLASA para mim foi incrível, no meu início profissional, eu aprendi demais. Então, o recado que eu quero deixar para as meninas e os meninos que têm a oportunidade de fazer o Programa Jovem Aprendiz, aproveitem muito. Sou muito grata à CLASA. Muito, muito obrigada.

Camila Prado – Eu tinha 14 anos e participei até meus 18 anos. Trabalhei em uma empresa, onde tive uma grande experiência. Lá, eu aprendi muito tanto das atividades quanto o comportamento adequado, o ambiente de trabalho, a responsabilidade, a forma de falar. Sou formada em Serviço Social e atualmente sou coordenadora pedagógica, trabalhando há 15 anos numa instituição em Poá, na Grande São Paulo, onde atendemos a todas as cidades do Alto Tietê, São Paulo, Guarulhos e interior de São Paulo. Então, toda essa experiência que eu tive na minha adolescência, eu passo para os jovens de hoje que atendo. Para mim foi uma experiência magnífica, em que iniciei toda a minha trajetória profissional, e tenho muito que agradecer a essa instituição por existir, e ajudar ainda os jovens a ingressar no mercado de trabalho.

Um dos programas – Jovem Aprendiz – é reconhecido há décadas. Regulamentado pela Lei nº 10.097/2000 e pela Portaria MTE nº 3.872/2023, é uma importante política pública voltada à formação e inserção de adolescentes, jovens de 14 a 24 anos e pessoas com deficiência no mercado de trabalho. A legislação estabelece que empresas de médio e grande porte têm a obrigatoriedade de contratar aprendizes, contribuindo diretamente para a inclusão produtiva e o desenvolvimento profissional desse público. É um programa que visa à inclusão social e profissional de jovens, através da combinação de formação teórica e prática no ambiente de trabalho, fortalecendo o compromisso com a formação cidadã e a construção de trajetórias profissionais mais justas e promissoras.

Ao longo destes 50 anos, a CLASA inseriu mais de 15 mil jovens no Programa de Aprendizagem.

A sobrevivência da Instituição
Só para constar, a CLASA não recebe recursos do município ou mesmo do Estado, para dar seguimento ao seu trabalho. Os recursos da instituição são próprios através do Programa Jovem Aprendiz, por meio dos recursos repassados pelas empresas parceiras.

De acordo com o diretor financeiro, Antônio José Monte, esses aportes financeiros são destinados a cobrir os custos com a formação teórica, o acompanhamento socioeducativo e a gestão dos aprendizes ao longo do programa. “Em contrapartida, as empresas participantes têm acesso a benefícios legais e fiscais, como a redução da alíquota do FGTS (de 8% para 2%) e a isenção de aviso prévio remunerado e multa rescisória, além de investirem na formação de jovens talentos alinhados à sua cultura organizacional e valores”, explica.

Esse modelo gera um ciclo de valor compartilhado, no qual as empresas contribuem para a inclusão social e o desenvolvimento profissional da juventude, ao mesmo tempo em que fortalecem seus quadros com colaboradores em formação, motivados e preparados para os desafios do mercado.

Novos tempos

Pois é. Cinco décadas se passaram e a Instituição, que celebra neste mês seus 50 anos de trajetória, ‘arregaça as mangas’ para os novos tempos, que já estão aqui, com foco em um mundo marcado por frenética transformação, mas seguind

o na mesma missão de transformar a história de milhares de jovens.

Porém, de acordo com o presidente Gilmar Moreira, essa transformação envolve não somente a preocupação com a inserção no mercado de trabalho. “Ela é mais abrangente. Como instituição de assistência social,

a preocupação também é a

expansão de nosso serviço de convivência, que consiste no contrafluxo da escola, o que significa acolher e, mais que isso, proporcionar atividades lúdicas, tais como teatro, música, leitura etc, no intuito de retirar o adolescente dos perigos que o rondam e inserí-lo em um ambiente saudável, com opções de cultura, esporte e lazer, para que ele se sinta atraído a frequentar a entidade”.

Paulo Fernando Coelho, presidente do Conselho Deliberativo da CLASA, diz que em um mundo onde a inteligência artificial já é uma realidade, onde muito se fala em projetos e ações relacionados à sustentabilidade, onde a tecnologia muda o dia a dia das pessoas de uma maneira muito rápida, os que não estiverem preparados para esta nova realidade enfrentarão muitas dificuldades para serem inseridos no mundo do mercado de trabalho. “A busca por profissionais altamente capacitados é uma competição desleal para com os menos favorecidos e é na preparação destes, que são considerados mais vulneráveis socialmente, que a CLASA vem, há 50 anos, capacitando e inserindo jovens de nossa cidade no mundo do primeiro emprego.

A CLASA, um projeto mantido por dois clubes de serviços que levam o nome da maior instituição de voluntariado do mundo, o Lions Internacional, é um exemplo para as outras entidades que trabalham com projetos similares. O acolhimento destes jovens pelas empresas e entidades parceiras, como jovens aprendizes de um ofício ou profissão, na grande maioria dos casos nos traz cada vez mais a certeza de que o trabalho realizado é tido como de excelência e transformará a vida de cada um que passará pela instituição. Felizmente, a nossa história nos mostra isso. E continuará mostrando, provavelmente por muito mais tempo, fazendo diferença de forma efetiva e transformadora”.