Deputado federal, ele prega uma agenda propositiva que faça do Brasil o país do presente, e não a eterna promessa de país do futuro
A rotina decididamente não é fácil. Fora de casa de segunda a segunda, passa de terça a quinta em Brasília, e no restante dos dias cumprindo agendas na região metropolitana, ou nas várias cidades do interior do Estado, fazendo assim sua obrigação enquanto deputado federal por São Paulo, eleito que foi em 2022, com 89.390 votos.
Falamos aqui de Fernando Marangoni (União Brasil), hoje vice-líder do União Brasil na Câmara dos Deputados e presidente de quatro Frentes Parlamentares: de Habitação e Desenvolvimento Urbano Sustentável; de Gestão de Resíduos e Economia Circular; de Consórcios Públicos e de Saneamento Básico.
Advogado e professor universitário, Marangoni, que é casado e pai de três meninas, bem antes de abraçar a política, se tornou doutor em Ciências Sociais e Jurídicas, pela Universidad del Museo Social Argentino, além de ter LLM (mestrado) em American Law System, pela Washington Law University e se tornou especialista em Direito Tributário, pelo Instituto Brasileiro de Estudos Tributários (IBET).
Aos 45 anos, e hoje, com uma agenda que impressiona por sua complexidade e diversidade, e que cumpre fielmente na Câmara dos Deputados, ele diz que pouco sobra para se dedicar à família ou ao seu hobby, mas, frisa com orgulho que, desde que foi eleito, tem procurado honrar a confiança dos eleitores com muito trabalho legislativo. “Neste período foram mais de duas mil proposições apresentadas de minha autoria e 117 relatadas, o que demonstra o ritmo intenso e a seriedade com que encaro o mandato”.
Nas próximas páginas, MercNews traz mais detalhes sobre a trajetória deste incansável parlamentar.
Da Redação
O início
Quem pensa que ele só preside as quatro Frentes já citadas, não sabe que Fernando Marangoni também é vice-presidente da Comissão de Viação e Transportes (CVT) e membro de outras três importantes Comissões: de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), de Finanças e Tributação (CFT) e de Comunicação (CCOM).
Mas, na verdade, atuando até 2017 como advogado e professor universitário, Marangoni iniciou sua participação na política trabalhando nos bastidores, por meio do então ‘Democratas’, que mais tarde se transformou no ‘União Brasil’. “Foi ainda naquele ano, quando assumi a Secretaria de Habitação de Santo André. “Ao lado do prefeito Paulo Serra (PSDB) realizamos uma gestão histórica, marcada por recordes tanto na produção de novas moradias quanto na regularização fundiária, garantindo dignidade a milhares de famílias”, diz ele, frisando que o impacto desse trabalho o credenciou para assumir, em seguida, a Secretaria Executiva da Habitação do Estado de São Paulo. “Nesse cargo, também conquistamos resultados inéditos: batemos recordes na entrega de unidades habitacionais, avançamos fortemente na regularização fundiária e criamos programas inovadores que se tornaram referência”.
Segundo ele, foi a soma dessa experiência tanto em nível municipal quanto estadual, que abriu caminho para sua eleição como deputado federal. “Cada etapa da minha trajetória fortaleceu em mim a convicção de que a política, quando feita com seriedade, planejamento e compromisso, transforma a vida das pessoas”.
A trajetória
Marangoni, que recentemente obteve mais uma conquista com a aprovação – agora pela Comissão de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família (CPASF) da Câmara dos Deputados, em Brasília -, do Projeto de Lei (PL) que determina que crianças e adolescentes também recebam atendimento nas Delegacias de Defesa à Mulher (DDMs) de todo o Brasil, conta que, na Câmara, atuou e segue atuando em diversas comissões permanentes e especiais, com destaque para a vice-presidência da Comissão de Integração Nacional e Desenvolvimento Regional (2024-2025), a vice-presidência da Comissão de Desenvolvimento Urbano (2023-2024) e, atualmente, a vice-presidência da Comissão de Viação e Transportes (2025). “Integrei ao todo 22 comissões, além de mais de 10 grupos parlamentares e de aproximadamente 150 frentes parlamentares, mas, se tivesse que destacar um trabalho em especial, certamente seria a relatoria do ‘Minha Casa, Minha Vida’. Como relator da proposta na Câmara tive a honra de construir um texto robusto, moderno e ampliado, aprovado por unanimidade em todas as etapas — na comissão mista da Medida Provisória 1.162/2023, no plenário da Câmara e no Senado Federal”.
Conforme frisa, o objetivo foi criar um verdadeiro novo Marco da Habitação no Brasil, oferecendo alternativas como locação social, parcerias público-privadas, produção direta por estados e municípios, e soluções voltadas às famílias de baixa renda. “Mais do que um relatório, foi a tentativa de transformar a vida de milhões de brasileiros que ainda sofrem com a falta de moradia digna”, pontua.
Quanto à proposta que determina que crianças e adolescentes também recebam atendimento nas Delegacias de Defesa à Mulher (DDMs) de todo o Brasil, e que segue agora para a CCJC, ele confessa que o que o levou a abraçar essa pauta foi uma convicção muito pessoal: “não há como proteger verdadeiramente as mulheres se não cuidarmos também de seus filhos. Muitas vezes, quando uma mãe procura a Delegacia de Defesa da Mulher, ela leva consigo crianças e adolescentes que também são vítimas diretas ou indiretas da violência — seja física, psicológica ou sexual. As Delegacias da Mulher já são estruturas especializadas, com equipes capacitadas e protocolos voltados ao acolhimento humanizado. Isso as torna o espaço mais adequado para receber também os filhos dessas mulheres, evitando que crianças e adolescentes sejam obrigados a passar por um novo trajeto, em outro órgão, repetindo relatos dolorosos e revivendo traumas”.
Na prática, segundo deputado, a proposta garante eficiência e humanidade, já que concentra o atendimento em um único local, com policiais preparados, salas reservadas e um ambiente mais seguro. “Isso fortalece o enfrentamento à violência doméstica como um todo, dá mais agilidade às denúncias e protege os menores em um momento de extrema vulnerabilidade”, detalha.
Parlasul, o que é?
Outro assunto que vem sendo muito discutido no País diz respeito ao Mercosul, que recentemente se tornou novamente mais um dos temas da vez, ganhando ainda mais urgência em razão do tarifaço. E é com leveza que o deputado explica seu trabalho enquanto membro da Representação Brasileira no Parlasul (Parlamento do Mercosul), explicando que este é o órgão legislativo do bloco regional, formado por Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela (atualmente suspensa).
Criado em 2005, ele substituiu a antiga Comissão Parlamentar Conjunta, com a missão de fortalecer a dimensão política e democrática do Mercosul, ampliando a participação dos povos no processo de integração. “Muitas vezes, as pessoas enxergam o Mercosul apenas sob a ótica comercial, mas o Parlasul representa o esforço de trazer para dentro do bloco as questões sociais, econômicas e culturais que impactam diretamente a vida dos cidadãos. A criação dessa instituição parlamentar foi justamente para dar voz a essas demandas e construir um espaço democrático de debates e negociações. Como integrante da Representação Brasileira, defendo que o Parlasul não pode ser mero espectador, mas, sim, protagonista na consolidação de negociações estratégicas. Num momento em que o chamado tarifaço reacendeu o debate sobre barreiras comerciais e competitividade, nosso trabalho é buscar caminhos que transformem o Mercosul em um verdadeiro vetor de crescimento, inovação e oportunidades para os nossos povos”.
Ainda segundo ele, o bloco precisa se modernizar, se abrir mais às novas economias, às cadeias globais de valor e às demandas por sustentabilidade. “Essa é a linha do meu trabalho: fortalecer o Mercosul como instrumento de desenvolvimento econômico e de redução de desigualdades sociais, aproximando a integração regional das necessidades reais da população”.
Mais trabalho x rotina diária
Marangoni aponta que na vida que todos levamos e principalmente hoje, em meio à confusão que domina a política nacional, ele gostaria de ter uma rotina diária mais organizada. “Mas, confesso que isso é quase impossível de controlar. Tento me programar, acordar cedo, cuidar da saúde, mas a realidade é que Brasília nos exige de terça a quinta-feira, com dias intensos de votações e compromissos no Congresso Nacional. Já nas segundas e sextas-feiras estou nos quatro cantos do estado de São Paulo ouvindo prefeitos, vereadores, participando de reuniões, eventos e inaugurações, que muitas vezes avançam pelo fim de semana. É uma rotina puxada, sem descanso, e sofro bastante com isso. Mas, quem mais sente minha ausência são, sem dúvida, minha esposa e minhas filhas. Hoje, diante da falta de tempo, o meu desejo é simples: estar com a minha família, sempre que consigo. São momentos que me renovam e me dão forças para enfrentar a rotina. Além disso, – e quando possível – pratico o jiu-jitsu, esporte que carrego desde a juventude, e que me ajuda a relaxar, a manter o foco e a disciplina, mesmo com a agenda corrida.
Quanto aos desafios que enfrenta no cotidiano, ele diz que, frente ao conturbado cenário nacional que todos presenciam, o seu maior desafio enquanto parlamentar é permanecer imune à polarização ideológica que tomou conta da agenda política brasileira. “Vemos discussões intermináveis, mas que pouco entregam em termos de soluções concretas para um país que ainda enfrenta tantas deficiências estruturais. Enfim, meu maior desafio é não me deixar contaminar por esse ambiente e manter o foco no que realmente muda a vida das pessoas”.
E é por isso que Marangoni tem dedicado seu mandato ainda a outras pautas, que incluem a defesa intransigente das pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), garantindo inclusão, dignidade e respeito, e à segurança pública, “porque não há desenvolvimento sem que o cidadão se sinta protegido no seu dia a dia. “Mas, não podemos parar aí: precisamos avançar em educação de qualidade, habitação digna e saneamento básico universalizado, que são direitos fundamentais e estruturam o futuro do Brasil. Essas são as pautas que transformam vidas, reduzem desigualdades e constroem um país mais justo e equilibrado. É nelas que concentro meu trabalho no Congresso, porque acredito que só assim conseguiremos entregar resultados concretos para a população”.
O sonho maior
Enfim, o deputado afirma que o primeiro passo para mudar o Brasil é pacificar as instituições democráticas. “Esse é, na minha visão, o maior sonho da nação: termos líderes que tragam para o centro do debate não apenas propostas de poder, mas um verdadeiro projeto de país. Hoje, infelizmente, o que predomina são disputas de espaço. O que eu gostaria é que surgissem lideranças moderadas, comprometidas com a democracia e com o diálogo, capazes de construir um amplo pacto nacional. Precisamos de uma agenda propositiva que faça do Brasil o país do presente, e não a eterna promessa de país do futuro”.









