Ejaculação precoce: novos conceitos e novos tratamentos

A ejaculação precoce é uma das queixas íntimas masculinas mais frequentes no consultório. Muitos homens relatam episódios de explosão antes do momento desejado e, principalmente, uma sensação de pouco controle sobre a própria excitação.

Mais importante do que simplesmente contar os minutos é observar três aspectos: o tempo até a ejaculação, a dificuldade em controlá-la e o sofrimento que isso provoca para o homem ou para o casal. Estudos mostram que uma parcela significativa dos homens relata episódios desta disfunção em algum momento da vida, embora os casos que preenchem critérios clínicos mais rigorosos sejam menos frequentes.

A boa notícia é que existe tratamento, e hoje dispomos de estratégias bastante eficazes quando cada caso é bem avaliado.

Por que isso acontece?
Durante muitos anos, a ejaculação precoce foi considerada exclusivamente um problema psicológico. Atualmente sabemos que a situação é mais complexa: corpo e emocional.

Ansiedade, estresse e preocupação com o desempenho sexual podem ter um papel importante. O homem começa a relação pensando que poderá ejacular rapidamente, aumenta seu estado de alerta e entra em um verdadeiro ciclo de ansiedade.

Problemas pessoais, dificuldades no relacionamento, excesso de trabalho, questões financeiras, perdas familiares e uma rotina constantemente acelerada também podem interferir na resposta sexual.

Mas, fatores físicos e biológicos também precisam ser investigados. Alterações hormonais, inflamações, disfunção erétil, hipersensibilidade e outras condições podem estar associadas a determinados casos. Por isso, cada paciente deve ser avaliado individualmente.

Como é feita a avaliação?
O primeiro passo é uma conversa com médico urologista e terapeuta sexual, detalhada com o início dos sintomas, o nível de controle sobre a ejaculação, possíveis dificuldades outras, uso de medicamentos, ansiedade, relacionamento e saúde geral.

Quando necessário, também são realizados exame físico e exames complementares para investigar possíveis fatores associados. Não existe um único exame de sangue capaz de diagnosticar ejaculação precoce. O diagnóstico é principalmente clínico.

Como é o tratamento?
O tratamento deve ser personalizado e pode envolver o homem individualmente ou também sua parceria.

Em determinados pacientes podem ser utilizados medicamentos que ajudam a retardar a ejaculação. Entre as opções estudadas estão alguns ansiolíticos, sempre com indicação e acompanhamento médico. (AUAUniversity)

A terapia sexual pode ajudar o homem a compreender melhor seu nível de excitação, reconhecer as sensações que antecedem o orgasmo e desenvolver maior capacidade de controlar a resposta sexual. Durante o processo terapêutico podem ser utilizados exercícios de percepção corporal, respiração e relaxamento, técnicas masturbatórias, mudanças na estimulação e exercícios realizados individualmente ou com a parceria.

O objetivo não é transformar a relação sexual em uma prova de resistência. É permitir que o homem tenha mais percepção, mais segurança e maior controle sobre sua excitação.

Aprender a reconhecer o chamado “ponto de não retorno”. Antes da ejaculação, o organismo envia diversos sinais.

Uma parte importante da terapia sexual consiste justamente em aprender a identificar as fases anteriores desse processo.

É um processo de aprendizado corporal. O uso indiscriminado de cremes anestésicos, medicamentos sem prescrição ou combinações improvisadas também deve ser evitado.

A ejaculação precoce não precisa ser encarada como motivo de vergonha. É uma condição sexual comum, que pode afetar profundamente a autoestima, a intimidade e o relacionamento, mas que pode ser tratada.

Quanto mais cedo o homem procurar orientação adequada, maiores são as possibilidades de compreender o próprio corpo e recuperar segurança em sua vida sexual.

 

Dr. Celso Marzano é urologista e terapeuta sexual
Tel. (11) 98947 6379
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