Câncer de pênis

Câncer de pênis

Câncer de pênis

 

Em 2020 foram registrados globalmente 36.068 casos novos e 13.211 óbitos devido a essa neoplasia, com taxas de incidência significativamente maiores nas áreas com menor acesso a saneamento básico, educação e serviços de saúde. O Brasil figura entre os países com maior número absoluto de casos no mundo.

Estima-se cerca de dois mil novos casos por ano, de acordo com o INCA (Instituto Nacional de Câncer), e mais de 400 homens são submetidos à amputação total ou parcial do pênis anualmente por diagnóstico tardio da doença. Este câncer é mais comum em países de baixa renda, como Uganda, Índia e Brasil, sendo rara onde há ampla cobertura de vacinação contra o HPV e com a prática rotineira da circuncisão (operação de fimose).

Fatores de risco aumentado para esta doença:
1. O papilomavírus humano (HPV), presente em até metade dos casos
2. Higiene íntima inadequada, com acúmulo de esmegma e episódios repetidos de inflamação do pênis
3. Presença de fimose dificulta a higienização da glande
4. Tabagismo, ao promover alterações genéticas e inflamação crônica
5. Baixo nível socioeconômico, que limita a prevenção e o diagnóstico precoce.

Clinicamente, o câncer de pênis pode se manifestar por lesões ulceradas, verrucosas, associadas a vermelhidão, secreção fétida e ínguas inguinais. Os impactos psicossociais também são comuns, como ansiedade, vergonha e disfunção sexual. O diagnóstico definitivo é feito por biópsia, seguida de classificação da gravidade, por exames de imagem e avaliação dos gânglios.

O tratamento varia conforme o estagio: em estágios iniciais podem ser indicadas a postectomia, excisão local ou terapias tópicas com medicamentos. Em casos localmente avançados, a penectomia parcial ou total acompanhada de retirada dos gânglios inguinais. Com metastáticas, utiliza-se quimioterapia sistêmica, e imunoterapia. A reconstrução peniana e o acompanhamento psicológico são essenciais no tratamento.

Estratégias de prevenção
*Vacinação contra o HPV em meninos e meninas a partir dos nove anos
* Circuncisão neonatal, com eficácia comprovada
* Ações educativas sobre saúde genital masculina, especialmente em regiões mais afetadas, e a capacitação dos profissionais da atenção primária para o reconhecimento precoce de lesões suspeitas.

Em conclusão, o câncer de pênis é uma condição evitável e tratável, mas ainda cercada por negligência e mitos. O controle da doença depende da prevenção primária, que envolve vacinação, boas práticas de higiene e diagnóstico precoce. Para avançar, é essencial promover a educação sexual desde as escolas, combater tabus e fortalecer políticas públicas voltadas às populações mais vulneráveis.

 

Dr. Celso Marzano é urologista, terapeuta sexual, autor de livros e influencer.
www.celsomarzano.com.br
youtube: dr celso marzano @celsomarzano